|
Outros Blogs Posts anteriores
Créditos
|
eusouatoa Sábado, Maio 30, 2009 E se eu tivesse dito sim, como você me trataria? Como uma amiga? Namorada? Anônima? Prostituta? Você me ligaria depois? Tomaríamos café da manhã juntos? Não fui por medo da minha nudez, da sua força, do nosso desejo. Da namorada a um oceano de distância. Da culpa católica. Não fui e agora, seis meses depois, ainda me pergunto como teria sido se eu tivesse adormecido naquele carro. E acordado na porta da sua casa. E você com aqueles olhos pequenos e doces ia me olhar como se não tivesse outra alternativa. Como se o acaso me houvesse levado até ali. E como ficar com você fosse minha salvação. E depois, hoje, não estaria aqui à 1 e 40 da manhã me perguntando o que teria acontecido se eu tivesse pedido pro seu amigo virar à direita e me levasse até em casa, mesmo depois de você ter dito que eu dormiria na sua. Não dormiria. Não dormi. Cá estou. Cá estamos?
postado por Lívia às 1:46 AM Terça-feira, Maio 19, 2009 Eu achava que ele era um cara normal. Vivíamos no mesmo prédio, nos cumprimentávamos, levávamos um papo leve, algumas risadas. Mas eu sabia que havia algo estranho nele. Sempre no celular xavecando as meninas da lista de contatos. Se não achasse companhia saía pra beber sozinho... Não que fosse feio. Ou chato. Era razoável nas duas coisas. Mas tinha uns amigos estranhos. Uns modos raros. Aí me mudei, me despedi, trocamos msn. E agora me persegue com as coisas mais estranhas. Fico online lá vem: "Q voce acha d sexo oral?". No outro dia: "Gostosa". E mais além "Quero uma foto sua nua". Alou!? Quem você pensa que você é?! Essas pessoas que são outra online me assustam. (UPDATE: acabei de entrar no msn. Sorte de hoje? "Voce d 4 dever ser..mmm")
postado por Lívia às 12:25 AM Sábado, Abril 04, 2009 Não, não me deixe falar nada. Cá-la-me. Um beijo furtivo na garagem é o que o anoitecer pelos cotovelos não pode ser. Quero te dar mais. Mas não é com palavras que você vai consegur ter o que lhe ofereço. Vai ter que acontecer de supetão. Você vai ter que me enganar, perder o medo de me machucar, arriscar até perder-me. Mas é claro que não vou a lugar algum. Quero te dar pedacinhos de mim para você nomear. Uma pinta, um arquipélago de poros arrepiados pelo frio, a minha marca na sobrancelha, um centímetro quadrado da minha nuca, alguns fios de cabelo que ficam no seu rosto. Quero te pertencer. Sequestra-me?
postado por Lívia às 9:28 PM Segunda-feira, Março 23, 2009 caixinha guardei tudo. guardei, coloquei no fundo de um armário esquecido no porão. guardei e esqueci no momento que encontrei o armário. já não quero mais as coisas que tinha. guardei os presentes. os objetos que me fazem lembrar disso ou daquilo. as risadas mentidas. as estratégias. os olhares vazios. as noites vazias. as manhãs borradas. as mensagens fingidas. quero nada mais não. quero nada disso. quero não. eu quero é uma covinha no canto direito do seu rosto. e eu quero uma rosa numa caixinha. (texto feito em parceria com o Matheus Cherem)
postado por Lívia às 10:38 PM Quarta-feira, Março 18, 2009 Quero tomar um banho. Lavar-me. Lavar-me com bucha, palha de aço, lixa industrial, zéster de limão. Lavarm-me da pele, das veias, dos músculos, dos ossos. Lavar-me de mim até não sobrar víscera alguma. Quero lavar-me a alma, tirar dela os pensamentos, as memórias, os machucados, as marcas todas. Lavar-me até esquecer-me. E então... Então não haverá mais incômodo.
postado por Lívia às 10:08 PM Segunda-feira, Março 16, 2009 Stockholm syndrome Cruzava a rua e ele foi atrás de mim. Apertou o passo. Tocou-me com suas duas mãos leves e macias. Queria meu mp3 player, queria levar-me meu rádio. Mas eu segurava o aparelho com dedos firmes e ele, com suas mãos de pelica, não conseguiu tirá-lo de mim. Insatisfeito com sua investida, sussurrou-me ao ouvido uma cantada barata, com voz baixa, respirou-me. Continuei cruzando a rua, ele mudou de direção e foi até o ponto de ônibus cheio daquele domingo. Ao chegar à outra margem, pude ainda vê-lo dirigir-se a um homem que falava ao celular. Esqueceu-me como havia conhecido-me. Recrudesci meus gestos, guardei o mp3, tentei esquecer aquilo e seguir meu caminho inalterada. Mas estavam ali ainda as marcas da tentativa de furto. Sua presença na minha nuca. As mãos gentis que queimaram-me. Um carinho não-quisto. Roubou-me.
postado por Lívia às 11:20 PM Segunda-feira, Março 02, 2009 É isso que gosto em você.
A sua capacidade de transformar as coisas simples em gestos inesquescíveis. O carinho que dedica às mínimas tarefas. O tempo que você perde ao aparentemente supérfluo. O almoço de segunda-feira é um ritual sagrado. A melancia da sobremesa é manjar para poucos. O manjericão para o espaguete é cuidadosamente arrancado das ramas, as flores que restam são meticulosamente guardadas - para plantar na sua jardineira? Não sei, no fundo não te entendo. Acho tudo muito. Faço as coisas rápido. Me sinto um furacão destruidor perto dos seus gestos suaves. Eu só rio. Me faço de forte. Observo de longe. Pareço debochar desse excesso de zelo, dessa energia desperdiçada. Mas o que quero, mesmo, é causar o rubor da sua face. Sua vulnerabilidade é meu ponto fraco.
postado por Lívia às 1:47 AM Just speaking
For languages up And languages over Those small Who have all Tongues over Phrases speak hope Or picking admiration Different world
postado por Lívia às 1:27 AM E de novo.
postado por Lívia às 1:20 AM Domingo, Fevereiro 15, 2009 Não me olha. Sai, pára, chega. Não me olha assim, não me procura, só fecha os olhos e finge que sou outra. Me beija, me amassa, me ama como se eu fosse aquela que você gosta. Não sei o que me deu, achar que um dia você fosse gostar de mim. Claro que não. Eu sou eu, sou isso. Não quero que você me olhe, não, não acenda a luz, vai estragar tudo. Você vai ver minha pele cheia de crateras, meus dentes tortos, meus lábios finos, meu cabelo mal cortado, meu corpo torto, as gorduras nos lugares errados. Sei que amanhã você vai se arrepender. É imperativo. Mas hoje, ao menos, não abra os olhos, deixe-se levar pelo álcool, pela música, pelas luzes piscando, aproveite o momento, que você vai se envergonhar pela manhã. Só aproveite, eu preciso me sentir um pouco possível. Menos abominável. Mesmo que depois você não se lembre de nada. Aliás, melhor assim, evita o constrangimento quando nos esbarremos de novo. Pára, não tenta me dizer nada. Não me minta ao pé do ouvido. Eu sei muito bem o que pensa de mim, eu tenho espelho. Cala a boca. Fecha os olhos. Me beija e me esquece.
postado por Lívia às 1:36 PM Sábado, Fevereiro 07, 2009 "Olha, nem sabia que tinha comido coentro" foi o que pensou quando viu as folhinhas boiando na água. Um pedaço de cordeiro do almoço estava por lá, assim como restos de morango, salsichas, chocolates e uma coisa branca - chantilly? Tinha prometido que não ia mais fazer aquilo. Nos últimos tempos, o máximo que fazia era comer mais umas fibras a mais ali, nas festas de Natal e Ano Novo, num aniversário, numa noite virada em claro à base de chocolates e pipoca. Normal, né? Mas os últimos dias foram horríveis. Hoje, o ponto culminante. Nunca havia se sentido tão abandonada. Sozinha. Feia. Era sexta-feira à noite. Em casa. Sábado faria uma sessão de fotos importante. Sentia-se horrível, um lixo, um monstro. E sua mãe havia testado aquelas receitas que ela simplesmente não podia comer. Não antes de uma sessão de fotos. Não ela, com tantos quilos a mais na balança. Não queria. Na semana anterior já havia induzido uma limpeza estomacal. Mas nada de mais, de verdade... Nada fora do normal. No fim do dia de testes culinários, claro, havia comido muito mais que deveria. Chorava de ódio de si mesma: um monstro. No banheiro, o dedo na garganta, o gosto amargo, tudo pra fora. Uma, duas, três, quatro, cinco vezes. Os braços marcados de vermelho onde havia se apoiado. Os olhos lacrimejosos de choro e esforço. A garganta ainda amarga depois de três enxagues com cepacol. Ainda feia. Ainda gorda. Ainda indesejável. Normal. Tá tudo normal.
postado por Lívia às 12:44 AM Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009 Receita fácil de panquecas Não aquelas de enrolar. As grossas, fofas, de café da manhã. Ingredientes: Uma xícara de farinha 2 colheres de sopa de açúcar 2 colheres de chá de fermento em pó meia colher de chá de sal 2 colheres de sopa de manteiga sem sal derretida ou óleo vegetal (ou, se usar manteiga com sal, não adicione a meia colher de sal) uma xícara de leite um ovo grande uma colher de sopa de óleo para fritar as panquecas diversos tipos de coberturas Modo de fazer: 1 - Pré-aquecer o forno para 200ºC e tenha uma forma com papel manteiga já pronta para receber as panquecas feitas. Misture num bowl pequeno a farinha, açúcar, sal e fermento em pó 2 - Em um bowl médio, misture o leite, a manteiga derretida (ou óleo) e o ovo. Adicione os ingredientes secos, mas Não Misture Demais, só o suficiente para a massa estar uniforme. 3 - Aqueça uma frigideira grande. Dobre um papel-toalaha em 4 e espalhe o óleo nele. Use o papel toalha para untar a frigideira. 4 - Para cada panqueca, adicione 2 ou 3 colheradas de massa e use o fundo da colher para espalhar a massa de uma forma redonda. (para panquecas mais grossas, use 3 ou 4 colheradas de massa) 5 - Vire a massa com uma espátula fina quando o lado de cima apresentar algumas bolhas e o lado de baixo estiver um pouco dourado (1 ou 2 minutos). Vire-a cuidadosamente e deixe cozinhando por mais 1 ou 2 minutos, quando o outro lado já estará dourado também. Transfira a panqueca para a forma com papel manteiga e conserve-a no forno até que todas elas estejam prontas (a massa rende de 12 a 15 panquecas). Sirva quente com as coberturas desejadas. Dicas: * Para panquecas de soro de leite: no passo um, adicione meia colher de chá de bicabornato de sódio à mistura. no passo dois, substitua o leite pelo soro de leite desnatado. * Para panquecas de iogurte: no passo um, adicione meia colher de chá de bicabornato de sódio à mistura. no passo dois, substitua o leite por 2/3 de xícara de iogurte e 1/3 de xícara de leite * Para panquecas integrais com iogurte: No passo um, substitua a farinha por meia xícara de farinha de trigo integral, 1/4 de xícara de fubá e 1/4 de xícara de gérmen de trigo e adicione meia colher de chá de bicarbonato de sódio. No passo dois, substitua o leite por 2/3 de xícara de iogurte e 1/3 de xícara de leite. * Para adicionar ingredientes extras, como bananas picadinhas, blueberries, amoras, framboesas, gotas de chocolate ou nozes, salpique-os nas panquecas antes de virá-las para o outro lado.
postado por Lívia às 3:00 PM Quarta-feira, Janeiro 14, 2009 Tem gente que a gente observa de longe, troca algumas palavras, poucas confissões e até uma lagrimazinha. Mas não é suficiente. Vê de longe e quer estar dentro dela, quer viver cada momento com ela, se divertir o tanto que ela se diverte, conhecer todo mundo que ela conhece. Tem gente que eu quero assim pra mim. Carregar todos os problemas por ela, e viver todas as alegrias com ela. São amigos que moram no fundo do peito, aconchegadinhos, quentinhos e protegidos pelo meu sangue que pulsa alegre, alegre por estar com eles. Gente que nem sabe ao certo porque foi morar lá, nesse lugar tão especial. Desse tipo de gente eu não quero nada em troca. Não quero obrigado. Não quero morar num lugar especial dele de volta. Não quero nada, nada, além da permissão de continuar cuidando, mesmo que seja de longe: uma página da internet que eu possa ver todo dia, um sorriso semanal, um abraço de oietchau daqueles de alinhar os sete chakras uma vez por mês. Lembro daquele poema da Adélia. "Amor é a coisa mais alegre. Amor é a coisa mais triste. Amor é a coisa que mais quero. Por causa dele podem entalhar-me: Sou de pedra sabão": facim, facim.
postado por Lívia às 1:09 AM Quarta-feira, Janeiro 07, 2009 Atos As vontades são mais rápidas que o pensamento, que vão virando ações impensadas, gestos bruscos, cenas entrecortadas. O prazer alcançado rápido, dele e dela, os corpos quase doendo de tesão que esperava há muito já a saciedade. "O amor não precisa de espaço", já poderia dizer a avó de um ou de outro. Haveriam de concordar que nem a paixão. Nem o desejo. Nem o sexo precisa de espaço. Aliás, quanto menos, melhor. Foi num armário. De uma porta. Em uma garagem. Mas eu me apresso na história, conto o final, entreveio o meio e esqueço dos começos. É a clássica história do amor inconcluso e dos desencontros e das meias palavras que atuam mais como desculpas para os gestos e pensamentos. Shakespeare mais atual que nunca, como sempre soube que seria, aquele petulante. Ele morava em outra cidade, quilômetros de distância, havia ido visitar um amigo em seu apartamento ostentativo. Ela é vizinha desse amigo, mora há anos na mesma casa de seus pais, nunca havia cruzado sequer olhar com esse terceiro. Menos ainda com o segundo. A moça subira um andar a mais por defeito no elevador, essas coisas imperceptíveis na pressa de chegar em casa e trocar as roupas sujas de chuva que não para de cair na rua. Ao entrar em casa que não era sua, a porta destrancada como de costume em prédios de um só dono por andar, moribundear até seu não-quarto nos fundos e fechar a porta atrás de si, abre os olhos: aquela não era sua cama. E o moço deitado nela não tinha chances de ser seu bicho de pelúcia revisitado pela fada dos brinquedos. Assusta-se, alguém entrou no quarto sem bater e fechou a porta com força. Abre os olhos preguiçosos pra dizer que Obrigada, vou tirar um cochilo enquanto ele não chega, mas ela é outra. Alta, bonita, os cabelos curtos molhados, a roupa, então, nem se fala, o guarda-chuva pingando no tapete. Cruzam o olhar por milésimos de segundo (ou será que oram minuntos inteiros?) até que o eu-mecânico assume. Ele levanta, estende a ela a toalha que acabara de usar, os olhos baixos de vergonha de olha-la transparente. Ela aceita a toalha. Se não estou em casa, onde estou? Pergunta-se. Acena com a cabeça, abre a porta sem se virar. Sai correndo, deixa as marcas dos chinelos no sinteco, volta pelo mesmo lugar que havia ido. Encontra a porta de saída: 401. Uma centena errada. Vai até em casa de escada mesmo, refaz o caminho de dois minutos atrás, deita na cama e chora: covarde. Embaixo, a comoção é quase a mesma. Palavrões ditos em voz baixa, o próprio ódio de ser tão banana. Sempre foi. A vida toda. Antes que os impropérios aumentem de volume, um banho para esfriar as cabeças. A água morna relaxa. Passou, não há mais nada que fazer. Mas ao sair do box algo faz falta. Uma esperança: ela tem que voltar para devolver a toalha. Verdadeiro amor, alguns chamariam de verdadeiro amor isso que nasceu naquela tarde. Eu chamo de desejo. No máximo poderia dizer paixão (tesão?) à primeira vista. E a história avança rápido. Uma demora dois dias para voltar um andar e devolver a toalha, por pura covardia. Um é obrigado a voltar pra casa um dia depois, por causa do amigo que nunca chegou. A empregada recebeu a toalha das mãos dela sem entender o que estava fazendo no quarto de hópedes. O terceiro, doente no hospital: pneumonia por conta da chuva mal curada no corpo. As vontades ainda existiam, mas com o tempo aprende-se a conviver com os próprios fantasmas. Muda a estação. Já não chove mais, é Abril. Ela já andava com seus vestidos de alcinha. Sempre na rua, o trabalho exigia que estivesse sempre batendo pernas. Ele esqueceu o amigo e a cidade brevemente visitada, mergulhou nos estudos, nos fonemas, morfemas e outros emas ainda não descobertos. Cansou-se. Na Páscoa, a esperança renasce: Quem sabe ela não... Melhor não pensar nisso e fazer as malas. Taxi, aeroporto, taxi, tudo em menos de 3 horas. Aquele mesmo prédio, aquele mesmo amigo, agora já curado das tosses. O mesmo quarto de hóspedes. Dessa vez, nada de esperas ou médicos: passeio pela lagoa, pelos parques, pela feira, agitação que não era seu feitio. Nos intervalos, o abrir do elevador era sempre um momento de suspense: onde está ela? Finalmente se veem. Ele entrando com presentes para todos em suas mãos, ela cuida do sobrinho, que brinca no sagão de entrada. De novo o tempo pára. Ela repara nos olhos dele, que reparam nela inteira. As mãos dos dois perdem função. O barulho das compras no chão assusta a criança, que chora. O celular dele toca. No meio do alarido, os dois estáticos na própria timidez. Alguém quebra o encanto: o terceiro. Desce do elevador, leva as sacolas dele pra cima e leva ele junto. Ela fica embaixo tentando acalmar o menino. De novo a frustração mútua por não ter trocado sequer palavra. Nenhum encontro a mais naquele mês de Abril. Cada um volta à sua rotina por mais uma estação. Em Julho, os feriados passam com superficialidade e um toque de tristeza. Já não, chega dessa história, até eu já cansei. Me dói pensar nesses dois, se imaginando à noite, quando a solidão se mostra sem maquiagem aos que dormem sozinhos. Mas não seria justa com os leitores se parasse com tudo agora. Justo quando ela viaja e visita a grande metrópole nos fins de Setembro. Uns parentes que moram na zona rica da cidade a convidam para um fim de semana de festas, museus e cafés. Sua premiere em grande estilo naquela parte do planeta. A primavera estreada numa cidade tão cinza, mas de verdade bonita no que tem para mostrar. É a cidade dele, mas ela não sabe. Só soube foi que um dia, quando descia de elevador, ele desceu um andar a mais, esses acasos que acontecem uma vez a cada um. Ela esperava da garagem pelas malas enviadas pela tia lá de cima do décimo sétimo andar. Veio foi ele, do décimo oitavo. O primeiro segundo foi de susto. O segundo foi de um passo para frente, um na direção do outro, em frente à porta do elevador. O terceiro em diante não existiram mais. Caminharam para trás já um atracado no outro, encontraram uma porta de armário de tralhas. Lá dentro, o conforto de meses de espera. Palavras? Quem precisa delas?
postado por Lívia às 4:41 AM Segunda-feira, Dezembro 29, 2008 Acordei, me olhei no espelho e notei algo que antes não estava: uma barba. Não dessas de velha esquecida, feita de fios esparsos e eriçados. Uma barba completa, cheia, os fios castanhos, finos e macios como os dos meus cabelos. Ao contrário do que podem imaginar, a barba não me fazia menos feminina, ao contrário. Era um adorno a mais, uma auréola ao redor da boca, uma proteção para meu pescoço. E um charme só. Durante a manhã, não deixei de admirar-me por todas as superfícies reflexivas disponíveis – de espelhos a colheres de chá. Eu, cuja vaidade não vai além de pente, brinco e lápis de olho, me vi pensando em como a arrumaria, que tipos de looks ela me permitiria, como fazer com que se conservasse mais linda por mais tempo. Chegando em casa depois do almoço, me pus em frente ao espelho com o gilete que antes só servia para raspar as pernas e me barbeei pela primeira vez: era 22 de outubro e a ocasião pedia um bigode perfeito, feminino, atraente. Água quente, mach3 à postos, espuma de barbear com cheiro a lavanda. Mas não podia ser tudo tão perfeito... Azar de principiante: me corto com a lâmina quando já estava nos retoques finais. O sangue visto pelo espelho escorre e não parece querer parar. Algodão, papel higiênico, toalha de rosto, toalha de banho, roupa suja no cesto, nada contém o sangue que sai quente do corte debaixo do queixo. Antes que morra de hemorragia, me desperto. O rosto liso como sempre havia sido (ainda bem?). Antes uma feroz rival do dia do bigode e de experimentações barbeativas, o sonho me pôs nos seus lençóis e me fez compreendê-la (compreendê-los). É um privilégio a mais da raça masculina (esses preferidos de Deus que estão geneticamente livres da TPM). Cada um cuide bem da sua barba, mantenha limpo seu bigode, penteado o cavanhaque, aparada a costeleta. Let it grow, my friends, let it grow...
postado por Lívia às 10:16 AM |
| layout de RuX® ¨²°°³ - quaaaaase quase 4.. hehe |